Um campo só na porta de entrada: o acesso do marketplace B2B da Hunter Douglas
Desenhei o marketplace B2B da Hunter Douglas: uma loja on-line onde revendas compram books, mostruários, maletas e expositores da marca. Neste texto, conto as principais decisões de UX do projeto, todas pensadas para tirar burocracia do caminho de quem só quer fazer um pedido.
O contexto
Em uma loja B2B, quem compra não é uma pessoa qualquer: é uma empresa, e toda empresa tem um CNPJ. Essa informação, que normalmente aparece no meio de um cadastro longo, virou o ponto de partida de toda a experiência.
Entrar ou criar conta?
A maioria das lojas faz a pessoa decidir logo na porta: “já tenho conta” ou “quero me cadastrar”. Para quem chega pela primeira vez, é mais uma escolha antes de ver qualquer produto.
Aqui, a tela de acesso pede uma coisa só: o CNPJ da revenda. O sistema identifica se é primeiro acesso ou login, e a própria tela explica isso: “Primeiro acesso ou login? É só informar o CNPJ que a gente identifica.”
Uma decisão a menos para a pessoa, exatamente como sugere Steve Krug em “Não me faça pensar”.
Não pedir de novo o que já sabemos
No primeiro acesso, a revenda já existe na base da Hunter Douglas. Então, em vez de um formulário vazio, a tela “Confirme seus dados” mostra a razão social, o CNPJ, o telefone e o endereço já preenchidos.
A revenda só confere, cria e-mail e senha e ativa a conta. Se algum dado estiver errado, o link “Algum dado errado? Falar com o suporte” resolve sem travar o acesso.
Cada campo que a pessoa não precisa digitar é um erro a menos (Nielsen Norman Group, “Website Forms Usability: Top 10 Recommendations”).
Um checkout que mostra quanto falta
O checkout foi dividido em três etapas numeradas: frete, pagamento e confirmação. A pessoa sempre sabe onde está e o que vem depois. Os endereços ficam salvos com etiquetas (principal, casa, trabalho) e o resumo do pedido fica sempre à vista ao lado.
Uma área do cliente para quem compra sempre
Revenda compra com frequência, então a área do cliente reúne o que ela mais usa: resumo com pedidos ativos e favoritos, histórico de pedidos com filtros por status, favoritos, endereços, dados da empresa, segurança e acessos.
Decisões de produto e UX
- Acesso por CNPJ: um campo para primeiro acesso e login.
- Dados preenchidos: a revenda confere em vez de digitar.
- Suporte no caminho: um link direto quando algum dado está errado.
- Checkout em etapas: frete, pagamento e confirmação, numerados.
- Endereços salvos: com etiquetas para escolher rápido.
- Área do cliente: pedidos, favoritos e dados da empresa no mesmo lugar.
O que eu aprendi
Em uma loja B2B, cada etapa a menos pesa mais, porque quem compra faz isso como parte do trabalho, e não por lazer. Aprendi a olhar para os dados que a empresa já tem como matéria-prima de UX: o CNPJ, que poderia ser só mais um campo, virou o atalho para o acesso, o cadastro e o primeiro pedido.
Referências
- Krug, S. Não me faça pensar.
- Nielsen Norman Group. Website Forms Usability: Top 10 Recommendations.